Buscar
  • Papa Rica

Não importa o método: O importante é alimentar bem

por: Rodrigo Cavalheiro

A Internet é incrível. Tomou uma dimensão tão grande e tão dinâmica que às vezes ficamos perdidos. Tem tanta informação que a gente precisa parar e pensar em qual conduta vamos seguir. Não é diferente quando falamos de introdução alimentar, aquela que começa aos 6 meses de vida. De tempos em tempos surgem novas tendências e é preciso entender se elas realmente fazem sentido ou se são fenômenos momentâneos.



Um dos métodos que ganhou notoriedade nos últimos anos foi o BLW (baby-led weaning, ao pé da letra “desmame guiado pelo bebê”), que é um nome novo para aquilo que seu bebê já faz instintivamente: Pegar os alimentos com as mãos e levá-los até a boca. A aplicação do BLW é relativamente simples: cortam-se os alimentos em um tamanho que favoreçam a pega com as mãozinhas. O método virou febre porque estimulava a autonomia, a distinção de sabores e a coordenação motora. Como o bebê deve ficar à mesa junto da família, também estimulava a interação no momento da partilha. O dia-a-dia de alimentação do bebê faria com que a amamentação fosse diminuída naturalmente até que o bebê fosse desmamado (como o próprio nome do método diz). Até que…o método não funciona para uma determinada mãe. Criança desinteressada ou engasgando e, no lugar da alegria, o terror. Toda dedicação e esperança que a mãe depositou naquela receita desmoronam e essa mãe se sente frustrada e culpada por tudo.


Calma. Resolver é simples! Se esse era o plano A, basta ir ao plano B (e depois ao C, D, se for o caso)


Outro método que tem caído em desuso é aquele tradicional, baseado no sopão que a vovó fazia. Qual o problema dele? Normalmente de pouca parte sólida, carga nutricional questionável (a vovó fazia com muito amor mas não tinha tanto conhecimento sobre nutrientes), difícil de fazer em pouca quantidade (criança repete a receita várias vezes na semana) e que é totalmente passivo: oferece pouca interação e não estimula a autonomia e a coordenação.


Mais um método (esse mais recente e aconselhado pelo Ministério da Saúde em 2019): Evolução de consistência e de tamanho de porção conforme a idade. Simplificando: aos 6 meses, amassar tudo com o garfo. Aos 8 meses, cortar bem pequeno. Aos 12 meses, cortar um pouco maior. A ideia é que a criança passe por todas as consistências de forma acelerada até chegar na consistência adulta.


Fonte: GUIA ALIMENTAR PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE 2 ANOS Ministério da Saúde


Então qual é o certo? CERTO É QUANDO O BEBÊ SE ALIMENTA BEM!


Transformar a introdução alimentar em um drama faz mal para o bebê e para a mãe. É o caso da mãe ativista do BLW em que o bebê não ganha peso, por exemplo. Também é o caso da mãe que usa o método tradicional e a criança não se interessa pelos alimentos da mesa da família na fase da juventude.


Existem “crianças e crianças” e é importante descobrir com que método ela vai ser alimentada de modo que não tenha prejuízo no seu desenvolvimento. Proporcione uma experiência para seu bebê e sirva as refeições de forma mista, para que ele se desenvolva de forma saudável.


Uma tendência natural que percebemos nas recomendações é de abrir um caminho de mão dupla na alimentação infantil e adulta. Isto é, introduzir alimentos melhores na criança através da melhoria da alimentação do adulto. E vice-versa!


Alguns alimentos que a gente deve evitar, segundo o GUIA ALIMENTAR PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS MENORES DE 2 ANOS, editado pelo Ministério da Saúde:

  • Ultraprocessados (exemplo: “macarrão” com mais de 3 ingredientes? desconfie…)

  • Farinhas instantâneas, “preparados”

  • Batatas chips (que não são propriamente batatas)

  • Bebidas com menos de 60% de suco natural (essa informação é obrigatória)

  • Açúcar até os 2 anos (em nenhuma forma: no chocolate, no suco, no leite, etc)

  • Salsicha, salame, linguiça, presunto, enfim, embutidos e carnes ultraprocessadas

  • Temperos de cubinho

  • Todos os “antes”: conservantes, aromatizantes, emulsificantes, etc.

Alguns COMPORTAMENTOS que a gente deve adotar:

  • Boa higiene de uma forma geral: pessoal, de ambiente e de utensílios.

  • Generalizar e banir categorias de alimentos (falaremos disso em um próximo post!)

  • Criança precisa comer com a família, no mesmo ambiente e ao mesmo tempo.

  • Esquecer distrações durante a refeição (TV, celular, tablet, etc).

  • Comer deve ser prazeroso.

  • Não seguir a criança com o prato enquanto ela brinca.

  • Checar a temperatura da comida antes de servir à criança.

  • Acione sua rede de apoio: família, amigas.

Se sentir dificuldade, procure uma especialista em introdução alimentar.

Vai dar tudo certo!


Fontes:
https://brasil.babycenter.com/thread/3464084/cuidado-com-blw
https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Alimentacao/noticia/2015/06/metodo-blw-introducao-alimentar-sem-papinha.html
https://www.planorosa.com/2017/10/nosso-blw-que-nao-deu-certo.html
2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

por: Camila (Nutricionista) Nas últimas semanas vivemos uma turbulência nas nossas rotinas envolvendo nossos hábitos de saúde e alimentares (entre outros diversos hábitos). Quem trabalha fora o dia to